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E o destino fecundou um sonho

Mas eu estava acordada

E fez-se silêncio na minha morada

E fez-se a distância um amor balbuciado

Ainda não cantaram os pássaros

Mas eu já sei a cor da canção ensaiada

Incidem raios de sol

Na noite enluarada

E se o destino fecundou um sonho

Fecundará decerto a madrugada

Amanheça!

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Fonte

fonte

Ela não usava mais os navios aportados em sua mente
Singrava o mar cortante com os pés descalços
Levada pelo vento
E dorso de uma baleia era apenas mais um porto para sua solidão
Sem barcos, sem velas e muitos naufrágios
Até aprender a mergulhar
O que em dias de calor
Era seu enriquecido aprendizado das fontes
Sim, as fontes eram lugares seguros onde ela não se importava em ser ela
Jorrava

Como jorram os (des)conhecidos sinais que querem dizer algo
De Deus
Da Morte
E dela
Não era seguro
mas ela parava e se sustentava no ar rarefeito
Eram dúvidas
Ermas sombras
De um sinal
Onde a vida e a morte se encontravam nela
E um dia
Uma delas venceria
Por enquanto, ela apenas vivia.

Ponte no rio do sonho

As pontes eram de matéria sonho
Ela deslizava lenta e lisa
Na superfície das águas
Eram intenções claras
Mas só quando o dia se apagava
Servia-se da selvagem necessidade do corpo
Acendia o fogo das lembranças
E incendiava sua casa
Era uma festa
E tantos gritos

Eram de alegria
E tantas contrações lunares
Anunciavam a mesa posta
Era só assim que ela sabia
Todas as noites
O sol também vinha
Era solitário ver o tempo saudá-lo.

livro aberto verde

Ela vem…dançando vem

Ela quer dançar

E dança

Encantada com a agilidade dos seus passos

Com a agilidade do seu corpo débil e imortal

Ela quer dançar

E convida alguém para o ensaio vida e morte

Nos nossos colos

Ela insiste em deixar:

Uma rosa despetalada

Uma taça de vinho quebrada

Uma balança de precisão

Para termos certeza

Que nunca, mas nunca mesmo

Ela vem na hora errada.

Ela vem

Dançando vem

E monta guarda.

Ela…Aquela

Amarílis morreu

E eu aqui

Com essa tosca bagagem de palavras

Tendo que negociar com a dor

A morte quando faz uma visita

Não rega as plantas com água

Não faz flutuar os incautos

Não sublima nada

Abrasiva em seu abraço

Apenas arranca um pedaço de alguém

E joga longe…

Longe dos olhos

E o de dentro ateia-se em fogo morrente

Coração

Que quer parar de bater

Que quer dissipar aquela nuvem chovendo de compaixão:

Ela apenas espantou o riso

E o colocou em lugares quase inacessíveis

Ela deveria ter sorrido mais

Eu deveria ter silenciado

Brota…

A lágrima silenciada

Mente

A dor não é quase nada

Sonha

Ainda não estar acordada